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19 de mar. de 2026
Lei do Bem na prática: quem pode usar e como funciona

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19 de mar. de 2026

Essa é a realidade de muitas empresas no Brasil, principalmente aquelas enquadradas no Lucro Real, que já realizam esforços constantes para evoluir seus produtos, processos e operações, mas ainda não utilizam mecanismos legais que poderiam reduzir significativamente a carga tributária. A Lei do Bem surge exatamente nesse contexto: um incentivo fiscal criado para transformar investimentos em inovação em economia direta de impostos. E o mais importante, diferente do que muitos imaginam, esse benefício não está restrito a grandes empresas de tecnologia. Ele pode ser aplicado em diversos setores, desde que exista desenvolvimento, melhoria e algum nível de desafio técnico nas atividades realizadas. O problema é que, por falta de informação ou estrutura, muitas empresas deixam de aproveitar esse incentivo e continuam pagando mais imposto do que deveriam. Antes de tudo, responda rápido:
Sua empresa está no regime de Lucro Real (modelo em que o imposto é calculado sobre o lucro efetivo da empresa)?
Você apura IRPJ (Imposto de Renda da Pessoa Jurídica) e CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido) com base nesse lucro?
Sua empresa realiza melhorias em produtos, processos, tecnologia ou sistemas internos?
Existe equipe técnica, engenharia, TI e desenvolvimento envolvido no negócio?
Se a resposta for sim, você precisa saber: Sua empresa tem grande potencial de utilizar a Lei do Bem e pagar menos impostos de forma legal.
O que é a Lei do Bem? A Lei do Bem (Lei nº 11.196/2005) é um incentivo fiscal criado para estimular empresas brasileiras a investirem em inovação tecnológica. Na prática, ela permite que a empresa reduza impostos federais ao considerar como benefício os investimentos feitos em:
Pesquisa;
Desenvolvimento;
Inovação (o chamado PD&I).
Funciona assim: Se sua empresa investe para melhorar um produto, criar algo ou otimizar processos, ela pode usar esses custos para pagar menos imposto. Isso acontece porque a lei permite uma redução na base de cálculo dos tributos.
Base de cálculo = valor sobre o qual o imposto é aplicado.
Se esse valor diminui, o imposto também diminui.
Como funciona o benefício na prática? A Lei do Bem não gera um “crédito” para receber depois. Ela funciona como uma exclusão fiscal, feita dentro do LALUR (Livro de Apuração do Lucro Real) que é o controle onde a empresa ajusta o lucro contábil para chegar ao lucro tributável. Na prática:
A empresa investe em inovação;
Parte desses valores é “retirada” da base de cálculo dos impostos;
O imposto final a pagar diminui;
Qual é o ganho real? A empresa pode excluir de 60% até 100% dos gastos com inovação da base de cálculo. Considerando que IRPJ + CSLL somam cerca de 34%, isso pode gerar uma economia relevante. Exemplo simples:
Investimento em inovação: R$ 1.000.000
Exclusão de 60%: R$ 600.000
Economia aproximada: R$ 204.000
Ou seja: você investe no seu negócio e ainda reduz imposto.
O que é considerado inovação? Aqui está um ponto importante e onde muitas empresas se confundem. A Lei do Bem não exige algo “revolucionário”. Ela considera inovação qualquer ação que gere:
Melhoria de qualidade;
Aumento de produtividade;
Ganho de eficiência;
Evolução tecnológica;
Isso inclui, por exemplo:
Desenvolvimento de novos produtos;
Melhorias relevantes em produtos existentes;
Otimização de processos produtivos;
Criação ou evolução de sistemas e softwares.
Principais riscos identificados nas empresas:
Não mapeiam os projetos corretamente;
Não separam os custos por projeto (centro de custo);
Não documentam o desenvolvimento técnico;
Não envolvem as áreas fiscal e contábil no processo.
Exemplo:
Ajustes simples ou rotinas → não entram
Desenvolvimento com tentativa, erro e validação → podem entrar
Quem pode utilizar a Lei do Bem? Para acessar o benefício, a empresa precisa:
Estar no regime de Lucro Real;
Ter lucro fiscal no período (ou seja, estar dando lucro tributável);
Estar regular com o Fisco;
Manter documentação técnica e contábil organizada.
Quais despesas podem ser incluídas? Entre os principais gastos que podem entrar no cálculo:
Salários e encargos de equipes técnicas;
Materiais utilizados em desenvolvimento;
Serviços especializados;
Máquinas e equipamentos voltados à inovação;
Desenvolvimento de softwares.
Importante: tudo precisa estar diretamente ligado ao projeto de inovação. Conclusão: A Lei do Bem é uma das formas mais eficientes de alinhar:
Inovação;
Estratégia;
Economia tributária.
Empresas que utilizam esse incentivo de forma estruturada conseguem não apenas pagar menos impostos, mas também organizar e potencializar sua capacidade de inovar. Próximo passo: Se sua empresa está no Lucro Real e investe em melhorias ou tecnologia, o cenário é claro: você pode estar deixando dinheiro na mesa. Avaliar o enquadramento é o primeiro passo para transformar inovação em vantagem competitiva e economia fiscal real.